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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

MULHER SOFRE MAL SÚBITO AO TER O BENEFÍCIO NEGADO NO INSS DE TRÊS LAGOAS.

Depressiva, Neuza Aparecida dos Santos sofre de problemas psicológicos desde quando sua filha morreu em uma escola do município. INSS cortou seu benefício e médico alega que ela está apta para trabalhar

Familiares de Neuza Aparecida dos Santos, de 57 anos, estão revoltados com o tratamento que ela recebeu, na manhã de hoje (24), na Agência de Previdência Social do INSS de Três Lagoas. A mulher, que sofre de depressão profunda e outros distúrbios psicológicos, foi considerada apta a trabalhar pelo perito George Evandro Barreto Martins. Muito abalada com a resposta do médico, a paciente teve um mal súbito na unidade e precisou ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
FILHA MORTA
Neuza passou a desenvolver problemas psiquiátricos em 2003, depois que sua filha, de apenas oito anos, morreu. A criança brincava em uma escola municipal quando uma trave de futebol, de ferro, caiu e atingiu sua cabeça acidentalmente. A menina sofreu traumatismo craniano e não resistiu aos ferimentos. De lá pra cá, a mulher, que antes exercia a função de auxiliar de serviços gerais, não teve mais condições emocionais para trabalhar.
BENEFÍCIO CORTADO
Em 2012, depois ingressar com um processo na Justiça Federal, Neuza conseguiu um benefício do INSS. Em abril deste ano, após perícia, a Previdência Social, por considerar que ela desfrutava de sã capacidade mental, excluiu a pensão.
Em entrevista ao Perfil News, Antônia dos Santos Rodrigues, irmã da paciente, garantiu que ela não tem condições de ocupar nenhum serviço. ‘’A Neuza é depressiva desde quando perdeu a filha. Ela até tentou trabalhar, mas não aguenta por ter o estado emocional muito abalado. O pior de tudo é que, nessa revisão do Governo Federal, suspenderam o benefício dela’’, lamentou.
 
Mulher sofre mal súbito ao ter benefício negado no INSS de Três LagoasMulher sofre mal súbito ao ter benefício negado no INSS de Três Lagoas
Hoje, na ida ao INSS, Antônia acompanhava a irmã, e ficou na sala de espera enquanto ela entrou. ‘’A Neuza perdeu a razão quando ele [perito] disse que ela estava boa para trabalhar. Ela portava todos laudos psiquiátricos, que comprovam sua incapacidade, mas esse doutor George nem olhou. Por quê pedem exame então, se nem conferem? Todos reclamam desses médicos do INSS, que eles não olham nada’’, contou.
EXPRESSÃO GROSSEIRA
Sheila Regina dos Santos Ferreira, outra irmã de Neuza, também ouvida pela reportagem, externou sua indignação com o médico. Conforme a entrevistada, George teria usado de uma expressão grosseira ao diagnosticar a paciente.
‘’Ele [perito] pediu para ela ‘parar de mamar na teta do Governo’; onde já se viu. Uma mulher que está doente e que, por muito tempo, contribuiu com o INSS, hoje vive tamanha humilhação em busca de um salário mínimo para sobreviver. É revoltante, pois vivemos em um País em que se roubam milhões e ninguém é punido’’, desabafou Sheila.
Ao passar mal na sala do médico, Neuza foi retirada às forças até a recepção por um segurança da agência. Nas imagens, feitas pela irmã dela, é possível ver o funcionário agindo com agressividade com a paciente. Em outro vídeo, já na viatura do Samu e a caminho do pronto-socorro, nota-se que a mulher chegou a urinar na roupa durante o ataque de nervosismo.
 
ADVOGADA
Procurada pelo Perfil News, a advogada de Neuza, Izabelly Staut, reforçou que o histórico negativo do médico George Evandro Barreto Martins, no INSS, é antigo. Por coincidência, ela estava na unidade na manhã de hoje quando o fato ocorreu.
‘’Ela [Neuza] é minha cliente faz uns cinco anos. Conseguimos um benefício a ela, mas cortaram. Vários assegurados vêm reclamando constantemente desse médico; que são tratados mal. É lamentável uma situação dessas. Eles agem como se a pessoa estivesse pedindo esmola; é isso que ouço dos meus clientes’’, contou
INSS
À reportagem, a gerente da Agência de Previdência Social de Três Lagoas, Rosane Ballerini, explicou que Neuza ingressou com pedido judicial de aposentadoria por invalidez junto ao INSS. Na ocasião, o órgão reconheceu apenas incapacidade temporária da solicitante.
‘’Ela [Neuza] recebeu por força de determinação judicial no período de 22 de junho de 2012 a onze de abril de 2017, quando foi convocada nova perícia e não foi constatada incapacidade laboral. De abril pra cá, ela fez quatro novos requerimentos, e todos foram negados’’, recordou.
Segundo a gerente, na consulta de hoje, Neuza apresentaria um quinto requerimento ao INSS. ‘’O médico só falou para ela que não iria fazer a perícia para não prejudica-la, uma vez que a paciente havia sido periciada anteriormente e não ocorreu alteração em seu estado. Sendo assim, ele pediu que ela voltasse ao balcão e marcasse com outro perito’’, acrescentou Rosane.
Também de acordo com a gerente, o vigilante da unidade lhe disse que, ao ouvir a confusão no consultório, abriu a porta. Conforme o funcionário, o médico estava sentado e Neuza perto dele tentando estrangula-lo. Por conta disso, o segurança precisou intervir e removeu a paciente do local.
‘’Como te disse: não temos acesso ao ocorrido dentro da sala de perícia, pois trata-se de um procedimento sigiloso; apenas relatei o que me foi repassado’’, frisou a gerente.
MÉDICO
Ouvido pelo Perfil News, George Evandro Barreto Martins, optou por ser breve em sua declaração. ‘’A dona Neuza me agrediu sem aviso prévio e danificou os equipamentos da sala de perícia’’, resumiu ele, acrescentando que, à tarde, compareceria à Polícia Federal, acompanhado da gerente da Agência do INSS, para registrar um boletim de ocorrência sobre o fato.
Familiares de Neuza procuraram a Polícia Civil para prestarem queixa a respeito do ocorrido
Fonte: Perfil News
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