Se todo Carnaval tem seu fim, Ronnie Lessa, 48, e Élcio Queiroz, 46, aproveitaram bem o último que tiveram antes de serem presos, ontem, sob suspeita de terem participado do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e de seu motorista, Anderson Gomes. Isso é o que aponta investigação do Ministério Público.
Fuzis apreendidos na casa de Alexandre Motta - Divulgação/Polícia Civil do Rio de Janeiro
Compadres, parceiros, amigos: palavras que a promotora Simone Sibílio usou para descrever a relação de Lessa, policial militar já aposentado, e Élcio, expulso da PM após cair na Operação Guilhotina em 2011, que investigou corrupção entre fardados.
Os dois, segundo Sibílio, passaram o feriado carnavalesco em uma casa de luxo alugada em Angra dos Reis, e por lá andar de lancha era hobby preferencial.
Alto padrão não é algo estranho à vida de Lessa, que aluga uma casa no Vivendas da Barra, mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu filho Carlos, vereador do PSC no Rio, têm casa.
O delegado Giniton Lages também confirmou que um dos filhos do presidente namorou a filha de Lessa, mas afirmou que o fato não interfere na motivação do delito.
Resposta
As defesas do PM e do ex-PM presos ontem negam que eles tiveram participação no crime.
O advogado de Ronnie Lessa, Fernando Santana, disse que a defesa "vai negar de forma veemente sempre".
Santana declarou que não teve acesso ao inquérito.
"Isso é primordial, porque não tive acesso a nenhuma página sequer ainda a um inquérito que tem mais de 3.000 páginas, e é difícil eu poder falar alguma coisa nesse momento", afirmou.
Já a defesa do ex-PM Élcio Vieira de Queiroz também negou sua relação com o crime.
O defensor Luiz Carlos Cavalcanti Azenha diz que seu cliente tem um álibi que provará sua ausência no local do crime –trata como "carta na manga".
Segundo Azenha, Queiroz "não estava dirigindo para ninguém", e a polícia "não tem como provar, está tentando encontrar um culpado a todo vapor".
"O Elcio é inocente", disse Azenha.
O advogado de Alexandre Motta, Leonardo da Luz, diz que ele é amigo de infância de Lessa e guardou as caixas sem saber o que tinha dentro.
Folha de S.Paulo






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