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quarta-feira, 1 de abril de 2020

AGENTE PENITENCIÁRIO QUE ASSASSINOU ESPOSA ESTAVA AFASTADO DO TRABALHO HAVIA 7 MESES E TINHA POSSE DE ARMA PARTICULAR NA PF, DZ SAP

Em resposta a questionamentos feito pelo G1, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP) esclareceu nesta quarta-feira (1º) o afastamento de Alex Betti, de 35 anos, do cargo de agente penitenciário, que foi preso após matar a tiros a esposa Renata Alves, de 24 anos, na noite da última segunda-feira (30), em Martinópolis sp. Ele confessou o crime.
A SAP informou ao G1 que o servidor em questão atuava no Centro de Detenção Provisória (CDP), em São Bernardo do Campo (SP). Ele estava afastado das funções desde 8 de agosto de 2019 até o dia 8 de janeiro de 2020, de formas intercaladas, por atestados de transtorno de adaptação e episódio depressivo leve.

Desde o dia 8 de janeiro de 2020, o agente penitenciário recebeu afastamento ininterrupto, após apresentar atestado por ansiedade generalizada e episódios depressivos moderado e grave, de acordo com a SAP.

G1 questionou ainda à secretaria a respeito da arma utilizada no crime, que era de propriedade do servidor público estadual, e por que ela foi mantida com o agente penitenciário, já que ele estava afastado do cargo.
A SAP explicou que, desde o primeiro afastamento do cargo, em agosto de 2019, o agente teve sua carteira de identidade funcional, que lhe dava o direito de portar arma, recolhida pela unidade prisional. No entanto, Betti tinha posse de arma e armamento particular registrado na Polícia Federal (PF).

Nesse caso, por ser um bem particular, a secretaria informou que a arma não pode ser recolhida ou apreendida sem determinação de autoridade policial.
Alex Betti trabalhava no CDP, em São Bernardo do Campo, desde setembro de 2016.

O agente matou a esposa durante uma discussão, após desconfiar de uma possível traição, conforme declarou em depoimento à Polícia Civil.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Airton Roberto Guelfi, ainda em depoimento, o autor afirmou que "perdeu a cabeça" durante a discussão e cometeu o crime.

O homem foi preso em flagrante por feminicídio e submetido a audiência de custódia na tarde desta terça-feira (30), onde foi decretada pela Justiça a prisão preventiva do agente penitenciário.

O corpo da vítima foi sepultado na manhã desta quarta-feira (1º), no Cemitério Municipal de Martinópolis.
O crime
Uma briga entre casal resultou na morte de uma mulher, de 24 anos, em Martinópolis. O marido, de 35 anos, foi preso. A ocorrência teve início por volta das 22h da segunda-feira (30) e se estendeu durante a madrugada desta terça-feira (31).

O crime tirou o sono de muitas pessoas que foram até o bairro Pioneiro 2 para saber o que estava acontecendo. A briga entre o casal Alex Betti e Renata Alves começou por volta das 22h e a Polícia Militar foi acionada quando disparos de tiros foram efetuados momentos depois.

Um tio da vítima disse que, ao perceber que o marido estava alterado, a moça chegou a mandar uma mensagem pedindo ajuda para a família.
Quando os policiais chegaram à casa, os disparos contra a vítima já haviam sido feitos. Mas foram realizadas negociações com o marido para que ele não se suicidasse. Os fatos se estenderam pela madrugada desta terça-feira (31).

A vítima trabalhava como técnica de enfermagem, na Santa Casa de Misericórdia de Martinópolis, e Alex, como agente penitenciário. Eles estavam casados havia 11 meses e não tinham um histórico frequente de brigas.

Feminicídio

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte da jovem. O marido confessou o crime e foi preso em flagrante. O Boletim de Ocorrência foi registrado como feminicídio.

O delegado Airton Roberto Guelfi, responsável pelas investigações, disse ao G1 que o casal teria começado uma briga após o homem alegar que a esposa o estava traindo.

O autor contou à polícia que a desconfiança teve início quando uma pessoa próxima a ele disse que sua esposa o estaria traindo. O homem ainda contou em depoimento que começou a juntar elementos, prestar atenção nos atos da vítima e flagrou a troca de mensagens no celular dela com outro homem.
Ainda em depoimento à polícia, o agente penitenciário afirmou que "perdeu a cabeça" durante a discussão e cometeu o crime.

"Eu estive na cena do crime, ele disparou três tiros contra a esposa", contou o delegado ao G1.

O homem contou à polícia que estava afastado do cargo de agente penitenciário havia alguns meses, por questões psicológicas, porém, o delegado descarta a possibilidade de que isso tenha sido motivo para que ele cometesse o crime.

A arma utilizada pelo autor foi apreendida. Era de sua propriedade e estava regular.

"Acredito que ele tenha sido mantido com a arma, mesmo afastado do cargo, por questões de segurança própria, devido às ameaças que agentes penitenciários recebem de presos constantemente. No entanto, isso será apurado durante o inquérito, assim como a causa de seu afastamento", esclareceu Guelfi ao G1.

O delegado disse que os celulares da vítima e do autor do crime foram apreendidos para perícia.

O homem foi preso em flagrante por feminicídio.

G1
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